Sarah Bela

Por Hiran de Melo

Só tem uma palavra no pensamento,
Forte e bela como o firmamento.
Chegou chegando, ninguém segura,
É vendaval vestido de ternura.

É ela, Sarah Bela,
É ela, Sarah Bela.

Fala firme, sem pedir licença,
Feito quem nasceu da própria crença.
Desafia o vento e o tempo,
O ontem, o agora e o momento.
Vai plantando o amanhã
Com coragem de quem sabe caminhar.

Só ela, Sarah Bela,
Só ela, Sarah Bela.

Cada passo risca a estrada,
Feito estrela em madrugada.
Deixa acesa a própria trilha,
Acende sonho, acende vida.
Na palavra mora o desejo,
No olhar, um mundo inteiro de lampejos.

Então sua voz invade o relento:
"Cheguei!" — e estremece o firmamento.

Sempre ela, Sarah Bela,
Sempre ela, Sarah Bela.

É uma palavra feita verbo,
Conjugada no tempo certo.
Não promete... realiza.
Não espera... concretiza.
É coragem transformada em canção,
É mulher dona do próprio coração.

Assim é ela, força e doçura,
Feito o olho sereno de um furacão.
Onde muitos enxergam tempestade,
Ela semeia esperança e paixão.

Abraça o mundo sem perder a essência,
Faz do impossível uma experiência.
Do chão mais seco ao brilho da estrela,
Tudo floresce quando passa a menina Bela.

É ela, Sarah Bela,
É ela, Sarah Bela.

Chegou chegando, já chegou,
Quem duvidou se admirou.
Porque onde ela põe os pés,
A vida aprende um novo refrão.

É ela, Sarah Bela,
É ela, Sarah Bela.

 


Sarah Bela: o nome que damos àquilo que nos faz continuar

Por Hiran de Melo

Escrevi Sarah Bela sem a intenção de retratar uma pessoa específica. Embora o poema tenha nascido inspirado por alguém real, logo percebi que ele havia se tornado maior do que sua origem. Sarah Bela deixou de ser apenas um nome e passou a representar aquilo que, em cada um de nós, insiste em nos fazer seguir em frente.

Existem poemas que descrevem pessoas. Outros descrevem paisagens. Mas existem aqueles que, discretamente, falam da própria condição humana. Sarah Bela pertence a essa última categoria.

À primeira leitura, encontramos a celebração de uma mulher forte, decidida, capaz de transformar o ambiente por onde passa. Contudo, à medida que os versos avançam, percebemos que Sarah Bela ultrapassa a figura de uma personagem. Ela se converte em símbolo. É menos uma pessoa e mais um horizonte. Menos um retrato e mais uma direção.

O poema começa afirmando:

"Só tem uma palavra no pensamento."

Toda grande busca humana costuma começar assim: por uma palavra. Antes mesmo de encontrarmos respostas, procuramos nomes. Nomeamos o amor, a esperança, Deus, a felicidade, a liberdade. Não porque essas palavras consigam conter aquilo que representam, mas porque precisamos delas para continuar caminhando.

Sarah Bela nasce exatamente desse movimento. Ela é um nome dado ao indizível.

Talvez seja por isso que o poema nunca se preocupa em descrevê-la fisicamente. Não sabemos a cor dos seus olhos nem o formato do seu rosto. Sabemos apenas aquilo que ela provoca. Ela chega, transforma, planta o amanhã, ilumina caminhos e desperta coragem.

Há uma diferença profunda entre conhecer alguém e conhecer o efeito que essa pessoa produz em nós. O poema escolhe a segunda possibilidade.

Quando afirma:

"Na palavra mora o desejo"

ele toca uma das experiências mais universais da existência.

O ser humano vive desejando. Não apenas objetos ou pessoas, mas sentido. Desejamos porque somos inacabados. Se fôssemos completos, talvez não escrevêssemos poemas, não compuséssemos canções, não construíssemos templos nem levantássemos cidades. O desejo é a força silenciosa que mantém a história em movimento.

Nesse contexto, Sarah Bela não representa simplesmente uma mulher admirável. Ela encarna aquilo que nos faz continuar apesar das incompletudes. Ela é o sonho que insiste em sobreviver quando a realidade parece insuficiente.

Por isso o poema afirma que ela é:

"uma palavra feita verbo"

A expressão possui enorme força simbólica.

Uma palavra pode permanecer apenas como promessa. Um verbo, ao contrário, acontece. Move-se. Produz ação. Transforma o mundo.

Talvez seja essa a maior diferença entre quem apenas sonha e quem decide viver o próprio sonho.

Ao longo dos versos, Sarah Bela também recebe atributos quase absolutos. Nada parece detê-la. Ela desafia o vento, o tempo, o ontem e o amanhã. Não espera; realiza. Não promete; concretiza.

À primeira vista, poderíamos imaginar que o poema descreve alguém perfeito.

Entretanto, talvez a perfeição não esteja nela, mas no olhar de quem canta.

Todo amor constrói imagens maiores do que a realidade consegue sustentar. Quando admiramos profundamente alguém, não enxergamos apenas quem essa pessoa é; vemos também aquilo que ela desperta dentro de nós. Projetamos nela nossos melhores desejos, nossas esperanças mais antigas e nossas possibilidades ainda não realizadas.

Sarah Bela torna-se, assim, uma espécie de espelho. Não revela apenas sua própria grandeza; revela também aquilo que o eu lírico deseja encontrar em si mesmo.

Talvez por isso ela seja comparada ao

"olho sereno de um furacão."

A imagem é belíssima.

Toda existência atravessa tempestades. Mas há pessoas que carregam consigo uma serenidade que não nasce da ausência dos ventos, e sim da capacidade de permanecer de pé enquanto tudo parece desabar. A verdadeira força raramente faz barulho. Ela cria silêncio no centro do caos.

Outro detalhe chama atenção: o refrão.

"É ela."
"Só ela."
"Sempre ela."

À primeira vista, trata-se apenas de um recurso musical. Contudo, a repetição possui um significado mais profundo.

Repetimos aquilo que tememos perder.

Chamamos muitas vezes aquilo que parece escapar.

Pronunciamos reiteradamente os nomes que habitam a saudade, a esperança ou o amor.

Assim, Sarah Bela permanece sempre chegando. Nunca chega completamente. Continua caminhando, deixando rastros, acendendo trilhas e florescendo por onde passa.

Talvez seja justamente essa a condição do desejo humano: viver do movimento, e não da posse.

No fim, percebo que cada leitor encontrará sua própria Sarah Bela. Para alguns, ela será uma mulher. Para outros, um grande amor. Talvez uma filha, uma mãe, uma lembrança, uma amizade ou uma esperança que se recusou a morrer. E isso me alegra, porque um poema só se completa quando deixa de pertencer ao autor e encontra morada no coração de quem o lê.

Para mim, Sarah Bela é, acima de tudo, o nome que damos àquilo que nos faz continuar.

À coragem quando ela vence o medo.

À esperança quando atravessa a desesperança.

Ao futuro quando decide visitar o presente.

Porque existem pessoas que passam pela vida.

E existem aquelas que se tornam verbo.

Sarah Bela pertence à segunda categoria.

Ela não apenas ocupa um lugar no mundo.

Ela faz o mundo voltar a acreditar que vale a pena continuar caminhando.

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