Álbum Caminhando nas Nuvens
Evabela
Por Hiran de Melo
[Verso 1]
Só tem uma palavra no pensamento
Forte e bela como o firmamento.
Chegou chegando, ninguém segura,
É um vendaval vestido de ternura.
[Refrão]
É ela, Evabela
É ela, Evabela
[Verso 2]
Fala firme, sem pedir licença,
Como quem nasceu da própria crença.
Desafia o vento, o mundo e o tempo
O ontem, o agora e o momento.
Vai plantando a semente do amanhã
Com a força de quem sabe caminhar.
[Refrão]
Só ela, Evabela
Só ela, Evabela
[Verso 3]
Cada passo risca a estrada,
Feito estrela em madrugada.
Deixa acesa a própria trilha,
Acende sonho e acende vida.
Na palavra mora o desejo,
No olhar, um mundo inteiro em um lampejo.
Sua voz invade o relento:
Chegou, chegando, estremecendo o firmamento.
[Refrão]
Sempre ela, Evabela
Sempre ela, Evabela
[Ponte]
É uma palavra feita verbo,
Conjugada no tempo certo.
Não promete... realiza.
Não espera... concretiza.
É coragem transformada em canção,
Mulher dona do próprio coração.
[Ponte 2 — clímax]
Força e doçura,
Olho sereno de um furacão, é um veneno.
Onde muitos veem tempestade,
Ela semeia esperança e paixão.
Abraça o mundo sem perder a essência,
Faz do impossível uma experiência.
Do chão mais seco ao brilho da estrela,
Tudo floresce quando passa a menina Bela.
[Refrão final]
É ela, Evabela
É ela, Evabela
[Fechamento]
Chegou, chegando, já chegou,
Quem duvidou se admirou.
Porque onde ela põe os pés,
A vida aprende um novo refrão.
É ela, Evabela...
É ela, Evabela.
Composição - Hiran de Melo
Intérprete solo: Andreza Bocarely
Arranjos e Gravação: Studio Washington
Boy
Faixa 03 do Álbum Caminhando nas nuvens
– 2025/2026
Evabela
O nome que damos àquilo que nos faz continuar
Por Hiran de Melo
Escrevi
Evabela sem a intenção de retratar uma pessoa específica. Embora o poema tenha
nascido inspirado por alguém real, logo percebi que ele havia se tornado maior
do que sua origem.
Existem
poemas que descrevem pessoas. Outros descrevem paisagens. Mas existem aqueles
que, discretamente, falam da própria condição humana. Evabela pertence a essa
última categoria.
À
primeira leitura, encontramos a celebração de uma mulher forte, decidida, capaz
de transformar o ambiente por onde passa. Contudo, à medida que os versos
avançam, percebemos que Evabela ultrapassa a figura de uma personagem. Ela se
converte em símbolo. É menos uma pessoa e mais um horizonte. Menos um retrato e
mais uma direção.
O poema começa afirmando:
"Só tem uma palavra no pensamento."
Toda
grande busca humana costuma começar assim: por uma palavra. Antes mesmo de
encontrarmos respostas, procuramos nomes. Nomeamos o amor, a esperança, Deus, a
felicidade, a liberdade. Não porque essas palavras consigam conter aquilo que
representam, mas porque precisamos delas para continuar caminhando.
Evabela
nasce exatamente desse movimento. Ela é um nome dado ao indizível.
Por
isso o poema nunca se preocupa em descrevê-la fisicamente. Não sabemos a cor
dos seus olhos nem o formato do seu rosto. Sabemos apenas aquilo que ela
provoca. Ela chega, transforma, planta o amanhã, ilumina caminhos e desperta
coragem.
Há
uma diferença profunda entre conhecer alguém e conhecer o efeito que essa
pessoa produz em nós. O poema escolhe a segunda possibilidade.
Quando afirma:
"Na palavra mora o desejo"
ele toca uma das experiências mais universais da existência.
O
ser humano vive desejando. Não apenas objetos ou pessoas, mas sentido.
Desejamos porque somos inacabados. Se fôssemos completos, talvez não
escrevêssemos poemas, não compuséssemos canções, não construíssemos templos nem
levantássemos cidades. O desejo é a força silenciosa que mantém a história em
movimento.
Nesse
contexto, Evabela não representa simplesmente uma mulher admirável. Ela encarna
aquilo que nos faz continuar apesar das incompletudes. Ela é o sonho que
insiste em sobreviver quando a realidade parece insuficiente.
Por isso o poema afirma
que ela é:
"uma palavra feita verbo"
A
expressão possui enorme força simbólica. Uma palavra pode permanecer apenas
como promessa. Um verbo, ao contrário, acontece. Move-se. Produz ação.
Transforma o mundo.
Essa
é, talvez, a maior diferença entre quem apenas sonha e quem decide viver o
próprio sonho.
Ao
longo dos versos, Evabela também recebe atributos quase absolutos. Nada parece
detê-la. Ela desafia o vento, o tempo, o ontem e o amanhã. Não espera; realiza.
Não promete; concretiza.
À
primeira vista, poderíamos imaginar que o poema descreve alguém perfeito. Mas a
perfeição, talvez, não esteja nela — e sim no olhar de quem canta.
Todo
amor constrói imagens maiores do que a realidade consegue sustentar. Quando
admiramos profundamente alguém, não enxergamos apenas quem essa pessoa é; vemos
também aquilo que ela desperta dentro de nós. Projetamos nela nossos melhores
desejos, nossas esperanças mais antigas e nossas possibilidades ainda não
realizadas.
Evabela
torna-se, assim, uma espécie de espelho. Não revela apenas sua própria
grandeza; revela também aquilo que o eu lírico deseja encontrar em si mesmo.
Daí a comparação com o
"olho sereno de um furacão."
A
imagem é belíssima. Toda existência atravessa tempestades. Mas há pessoas que
carregam consigo uma serenidade que não nasce da ausência dos ventos, e sim da
capacidade de permanecer de pé enquanto tudo parece desabar. A verdadeira força
raramente faz barulho. Ela cria silêncio no centro do caos.
Outro detalhe chama
atenção: o refrão.
"É ela."
"Só ela."
"Sempre ela."
À
primeira vista, trata-se apenas de um recurso musical. Contudo, a repetição
possui um significado mais profundo. Repetimos aquilo que tememos perder.
Chamamos muitas vezes aquilo que parece escapar. Pronunciamos reiteradamente os
nomes que habitam a saudade, a esperança ou o amor.
Assim,
Evabela permanece sempre chegando. Nunca chega completamente. Continua
caminhando, deixando rastros, acendendo trilhas e florescendo por onde passa.
Essa
é, no fundo, a própria condição do desejo humano: viver do movimento, e não da
posse.
No
fim, percebo que cada leitor encontrará sua própria Evabela. Para alguns, ela
será uma mulher. Para outros, um grande amor. Talvez uma filha, uma mãe, uma
lembrança, uma amizade ou uma esperança que se recusou a morrer. E isso me
alegra, porque um poema só se completa quando deixa de pertencer ao autor e
encontra morada no coração de quem o lê.
Para
mim, Evabela é, acima de tudo, o nome que damos àquilo que nos faz continuar.
À coragem quando ela
vence o medo.
À esperança quando atravessa a desesperança.
Ao futuro quando decide visitar o presente.
Porque existem pessoas
que passam pela vida.
E existem aquelas que se tornam verbo.
Evabela pertence à
segunda categoria.
Ela não apenas ocupa um lugar no mundo.
Ela faz o mundo voltar a acreditar que vale a pena continuar caminhando.
Comentários
Postar um comentário