A ausência como espelho da existência Por Hiran de Melo Há momentos em que não é a presença que nos revela quem somos. É a ausência. Enquanto tudo permanece ao alcance das mãos, acreditamos que a vida se sustenta por si mesma. O outro está ali, o afeto nos acompanha, a rotina parece sólida, e imaginamos que o mundo possui um eixo permanente. Mas basta que alguém se retire — por escolha, pelo destino ou pela morte — para descobrirmos que aquilo que julgávamos ser o centro da existência era apenas o cenário onde nossa alma aprendia a respirar. É curioso perceber que a ausência não cria o vazio. Ela apenas ilumina o vazio que já existia, mas permanecia invisível enquanto o amor o preenchia. Quando alguém parte, não é apenas um lugar na casa que fica desocupado. Há um espaço silencioso que se abre dentro de nós. O relógio continua marcando as horas, os carros seguem cruzando as ruas, o sol insiste em nascer todas as manhãs. O universo não interrompe seu movimento para acomp...
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