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  Identidade, Sofrimento e Transcendência O caminho de volta para si mesmo Por Hiran de Melo “Antes de tudo, talvez seja necessário desfazer um equívoco muito antigo. Costumamos acreditar que a identidade nasce daquilo que vivemos. Não é verdade. A identidade nasce daquilo que permanece em nós depois que a vida nos atravessa. O sofrimento modifica a existência, mas não possui autoridade para definir a essência. A transcendência, por sua vez, é justamente o caminho pelo qual recuperamos aquilo que nunca deixou de existir, embora tenha permanecido escondido sob as camadas da dor.” Existe uma pergunta que acompanha a humanidade desde que o primeiro ser humano olhou para o próprio reflexo e percebeu que havia algo além da imagem: quem sou eu? Todas as grandes tradições espirituais, filosóficas e psicológicas orbitam essa mesma pergunta. Mudam as linguagens; permanece a inquietação. Talvez porque a identidade nunca tenha sido um conceito. Ela é uma experiência. Entretanto,...
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Escute o silêncio da alma e floresça Quando a dor deixa de ser silêncio e se transforma em caminho Por Hiran de Melo Há dores que chegam como um golpe. Outras, mais discretas, permanecem escondidas nas palavras que ouvimos, nos olhares que nos diminuem, nas ausências que nos atravessam. As primeiras deixam hematomas; as segundas moldam a alma. Talvez estas últimas sejam as mais difíceis de reconhecer, porque não aparecem nos exames médicos, mas alteram profundamente a maneira como passamos a enxergar a nós mesmos. Há uma violência que bate com as mãos. Outra, mais sofisticada, bate com a linguagem. Há quem destrua o corpo; há quem destrua lentamente a imagem que fazemos de nós mesmos. Ambas deixam cicatrizes. Ambas procuram convencer a vítima de que ela vale menos do que realmente vale. Foi dessa travessia que nasceu o poema "Não Me Bata Mais" , escrito por Hiran de Melo e Hian de Melo. Embora sua aparência seja simples, sua essência alcança profundezas que perten...
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  Não Posso Partir... Porque Ainda Não Nasci Por Hiran de Melo " Daí não querer sair Da casca do ovo Ser novo." Hiran de Melo Há uma espécie de sofrimento que não nasce da perda, mas do crescimento. É uma dor estranha. Não sangra por fora, mas aperta por dentro. Não vem porque a vida acabou, mas porque a vida ficou pequena demais para aquilo que estamos nos tornando. Talvez seja por isso que, às vezes, repetimos silenciosamente: "Para onde eu vou?" Não é uma pergunta geográfica. É existencial. É a pergunta de quem percebe que permanecer já não é possível, mas partir ainda parece impossível. Entre um lugar e outro existe uma fronteira invisível chamada crise. O curioso é que quase sempre interpretamos a crise como sinônimo de fracasso. Quando tudo aperta, acreditamos que estamos sendo destruídos. Mas a natureza conta outra história. O passarinho, quando sente o ovo tornar-se pequeno, não está morrendo. Está nascendo. Para quem observa ...