A Nossa Festa
Por Hiran
de Melo & Majda Hamad Pereira
1.
Venhas à nossa festa
Tragas a tua alegria
Teu tempero
Teu enredo
Exaltando a harmonia
Venhas à nossa festa
Tragas a gentileza
Teu laço
Teu abraço
Elevando a beleza
(Coral)
Eu vou, eu vou
A vida inteira
Dançando e cantando
Deixe de besteira
2.
Venhas à nossa festa
Recebas a comida
Meu sorriso
O mais que isso
Deliciando a acolhida
Venhas à nossa festa
Recebas o corpo ardente
Minha dança penetrante
Minha alma delirante
Irradiando a luz fervente
(Coral)
Eu vou, eu vou
A vida inteira
Dançando e cantando
Deixe de besteira
Composição - Hiran de Melo & Majda Hamad Pereira
Intérpretes: Boy & Bielzin
Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy
Faixa 03 do Álbum Inteiro e Verdadeiro – 2023/2024
Vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=sajWMFiy4og
Faixa 04 do Álbum Inteiro e Verdadeiro – 2023/2024
Instrumental
A Festa como Sacramento do Cotidiano
Por
Hiran de Melo
A leitura de A Nossa Festa revela uma poética
que transforma o cotidiano em sacramento, convertendo cada gesto simples em
metáfora de transcendência. O convite inicial — “Venhas à nossa festa” — não é
apenas uma chamada para um encontro físico, mas um portal para uma experiência espiritual
e existencial. A festa se torna símbolo da vida em sua plenitude, espaço de
acolhimento e de revelação.
O ritmo da composição, marcado pelo paralelismo e
pela repetição do refrão, cria uma cadência meditativa que funciona como
mantra. O “Eu vou, eu vou / A vida inteira / Dançando e cantando” não é apenas
refrão contagiante, mas uma afirmação de resistência contra o peso da rotina,
um chamado à leveza e à entrega. O texto convida o leitor-ouvinte a respirar
junto com a música, a se deter no instante e a reconhecer a beleza que emerge
da repetição.
Há também uma tensão reveladora entre o coletivo e o
íntimo. A primeira parte exalta a gentileza, o laço e o abraço — gestos de
comunhão e harmonia. Já a segunda mergulha na sensualidade: “minha dança
penetrante / minha alma delirante”. Essa passagem não opõe, mas entrelaça
dimensões: o sagrado e o erótico, o comunitário e o individual, o corpo e o
espírito. A festa se revela como espaço de fusão, onde presença e ausência,
prazer e dor, se encontram para iluminar a complexidade da vida.
Por fim, o poema não se fecha em si mesmo: abre-se
como pergunta e convite. Cada verso é uma ponte entre o humano e o divino,
entre o imediato e o eterno. A festa é metáfora da existência, e participar
dela é reconhecer-se, transformar-se e nascer de novo para o mundo — dançando,
cantando, celebrando.
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