Minha Amada Janela Da Alma
Por Hiran de Melo
Minha Fada amada
Bem-amada
Sou o Mago alado
O Bem-aventurado
Quando nos
encontramos
Eu era apenas
cinzas
De um pobre vulcão
Também era poeira
De ricas estrelas
Fontes de luz e
vida
Fazendo bater o
coração
Todo seu Mago
alado
Bem-aventurado
(Coral)
Minha Fada amada
Bem-amada
Sou o Mago alado
Bem-aventurado
A sua corporal
presença
Fez-me sentir a
gravidade
Ela tinha o seu
nome
Nome que me juntou
Fazendo-me homem
Todo seu Mago
alado
Bem-aventurado
(Coral)
Minha Fada amada
Bem-amada
Sou o Mago alado
Bem-aventurado
Seu corpo febril é
a nave
Em que viajo na
relatividade
Existente ou
imaginária
Seus olhos são as
janelas
Pelas quais vejo a
Imensidão
Completa, plena e
além dela
Todo seu Mago
alado
Bem-aventurado
Composição - Hiran de Melo & Boy
Intérpretes: Boy &
Bielzin
Arranjos e Gravação:
Studio Washington Boy
Faixa 08 do Álbum Trilhas
e Estradas da Vida
Publicado no blog: Álbuns
– Letras de Músicas
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=4RfFNbRrhcg
Minha Amada
Janela Da Alma
Por Hiran de Melo
A leitura de Minha Amada Janela da Alma
revela um itinerário poético que se move entre o humano e o cósmico, entre o
corpo e o espírito. O poema se constrói como rito de transformação, onde o amor
atua como força alquímica capaz de transmutar cinzas em luz, finitude em
transcendência.
O encontro entre o mago e a fada é o ponto de
iniciação: o ser fragmentado, reduzido a cinzas e poeira de estrelas,
reencontra sua essência na presença da amada. Essa presença não é apenas física
— é gravidade espiritual, magnetismo que o ancora à realidade e o eleva ao
mesmo tempo. O amor, aqui, é simultaneamente matéria e energia, peso e voo.
O refrão, repetido como encantamento, cria um
ritmo de meditação. A repetição não é mero recurso musical, mas gesto
ritualístico: cada retorno à invocação “Minha Fada amada / Bem-amada / Sou o
Mago alado / Bem-aventurado” reafirma a união das forças opostas — o masculino
e o feminino, o terreno e o etéreo. O mago, antes disperso, torna-se inteiro
pela presença da fada, que lhe dá nome e forma.
A imagem do corpo febril como nave e dos
olhos como janelas da imensidão traduz o amor como viagem interior. A amada é
veículo e horizonte, portal para o infinito. O olhar dela abre o cosmos,
revelando que o amor é também conhecimento — uma forma de ver além da
aparência, de penetrar o mistério da existência.
O poema culmina na fusão entre o finito e o
infinito. O mago, agora bem-aventurado, contempla a imensidão através da amada
e reconhece nela o espelho da própria alma. O amor deixa de ser emoção e se
torna revelação: um estado de consciência expandida, onde o ser humano se
percebe parte do todo.
Assim, Minha Amada Janela da Alma é
uma celebração da transformação e da unidade. Cada verso é um portal, cada
metáfora um gesto de ascensão. O amor, nesse universo simbólico, é a força que
ilumina o invisível, que faz do corpo um templo e da alma uma janela aberta
para o infinito.
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