Do nada o Nós
Por
Hiran de Melo
Nesta vida dita humana
Vivemos com diferentes nós
Um tipo útil, outro nem tanto
Nó de marinheiro, nó cego.
No enlaço amoroso há o Nós
Que contém o mais sagrado de nós.
Um triste dia
Você me avisou
Que o Nós acabou
Nada mais havia
Um triste dia
Nada mais havia
Nada mais havia
Nada entre nós
Nada mais havia
Nos nós.
Todavia, diz a lenda
No começo era o nada
E do nada o Criador
Fez você, uma tenda
E do nada o Criador
Fez você, uma tenda
Assim também o Nós
Um dia renascerá
E Ele em nós
O caminho iluminará
E Ele em nós
O caminho iluminará
Venha linda flor
Traga o seu abraço
Acolha em um só laço
Todo o nosso ardor.
Acolha em um só laço
Todo o nosso ardor.
O Sol voltará
E tudo haverá
Tudo entre nós
Nos nós.
Composição - Hiran de Melo
Intérpretes: Boy & Bielzin
Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy
Faixa 11 do Álbum Inteiro e Verdadeiro – 2023/2024
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=7GST9LdS3tY
Faixa 12 do Álbum Inteiro e Verdadeiro – 2023/2024
Instrumental
O Laço que Renasce
Por Hiran de
Melo
A leitura de Do nada o Nós revela uma meditação poética sobre os laços humanos, construída em torno da metáfora dos “nós”. O texto oscila entre a firmeza de um nó de marinheiro e a confusão de um nó cego, refletindo a ambivalência das relações: ora seguras e duradouras, ora frágeis e desfeitas.
A repetição de versos como “Nada
mais havia” intensifica a sensação de vazio, transformando a ausência em um
mantra que ecoa a dor da separação. Esse recurso estilístico não apenas reforça
o impacto emocional, mas também sugere uma espécie de ritual de luto, em que o
eu lírico insiste na perda até que o silêncio se torne quase palpável.
No entanto, o poema não se encerra na
desolação. A introdução da lenda do Criador, que do nada faz surgir a vida,
abre espaço para a esperança. Assim, o “nós” que se desfez pode renascer,
iluminado pelo sol que retorna e pela flor que simboliza o abraço e a
renovação. A natureza aparece como metáfora da ciclicidade da existência: o sol
que volta a brilhar e a flor que desabrocha são sinais de que o amor, mesmo
após a ruptura, pode ser recriado.
Essa alternância entre perda e
renascimento confere ao poema uma estrutura circular, em que o fim não é
definitivo, mas parte de um ciclo maior. O “nós” é, portanto, mais do que um
laço afetivo: é uma metáfora da própria condição humana, marcada por encontros
e desencontros, destruição e criação, dor e esperança.
O resultado é uma obra que convida à
reflexão sobre a fragilidade e a força dos vínculos, sobre a inevitabilidade da
perda e a possibilidade de recomeço. O poema transforma o nada em potência
criadora, e o “nós” em símbolo da eterna busca por sentido e conexão.
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