Tudo lindo, tudo dez
Por Hiran de Melo &
Majda Hamad Pereira
Menino lindo
Pega o seu chapéu
E vem me buscar
Tô doida pra lhe vê
Não canso de esperar
Já passei por muitos caminhos
Uns foram de rosas
Outros de espinhos
Mas não me abateu
Continuei aqui
A lhe esperar
Quando é que você vai chegar?
Meu relógio está aqui a bater.
As horas estão a passar
E eu aqui esperando você chegar
O vento trouxe o seu cheiro
O perfume voltou
A minha alma gritou de alegria
Menina linda
Você me faz tão bem
Como ninguém
Me faz tão bem.
Menino lindo
Você me faz tão bem
Como ninguém
Me faz tão bem.
Quero nesta noite inteira
Ao meu lado tê-la
Como namorada verdadeira
Quero vê-la
Quero vê-la
Na morada
E quero tê-la
Delícia da mente.
Quero neste dia inteiro
Ao meu lado tê-lo
Como namorado verdadeiro
Quero vê-lo.
Quero vê-lo
Na morada
E quero tê-lo
Delícia da mente.
(vocal)
Tudo lindo, tudo dez
Tudo lindo, tudo dez
Composição -
Hiran de Melo & Majda Hamad Pereira
Intérpretes:
Boy & Andreza
Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy
Faixa 09 do Álbum Inteiro e Verdadeiro – 2023/2024
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=Icy7yLz3jj0
Faixa 10 do Álbum Inteiro e Verdadeiro – 2023/2024
Instrumental
Entre a espera e a plenitude
Por Hiran de Melo
O
poema se abre como uma celebração da espera amorosa, onde cada verso pulsa com
a ansiedade do encontro e a promessa de plenitude. A voz lírica não apenas
aguarda: ela constrói, com imagens sensoriais e afetivas, um espaço de
expectativa que se torna quase ritual.
O
tempo é personagem central. O relógio que bate, as horas que passam, não são
apenas medidas cronológicas, mas símbolos da intensidade da espera. O tempo
aqui não desgasta; ele alimenta o desejo, transforma a ausência em presença
imaginada. O vento que traz o cheiro do amado é metáfora da saudade que se
materializa, como se o corpo do outro pudesse ser evocado pela memória
sensorial.
A
alternância entre “menino lindo” e “menina linda” revela um jogo de
reciprocidade. O amor não é unilateral, mas espelhado, refletido, multiplicado.
Essa alternância dá ao poema uma cadência de diálogo, como se duas vozes se
encontrassem na mesma canção, reafirmando que o amor é sempre encontro de
diferenças que se completam.
A
“morada” e a “delícia da mente” elevam o desejo para além do físico. O espaço
íntimo é imaginado como refúgio, e o prazer é descrito como experiência que
transcende o corpo, alcançando a alma. O amor, aqui, é vivido como totalidade:
físico, emocional, espiritual.
O
refrão “Tudo lindo, tudo dez” funciona como síntese e coro. É a expressão da
perfeição encontrada no amor, uma espécie de mantra que reafirma a beleza e a
completude da experiência afetiva. A repetição cria efeito hipnótico, como se o
poema quisesse fixar no leitor a sensação de plenitude que o amor proporciona.
No
conjunto, o poema é menos uma narrativa linear e mais uma tessitura de imagens
e sensações. Ele nos convida a entrar no espaço da espera, da saudade e da
celebração, mostrando que o amor, quando chega, reorganiza o mundo: torna tudo
belo, tudo inteiro, tudo dez.
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