Vida de ciclista

Por Hiran de Melo

 

Nas estradas e trilhas

Desta vida de ciclista

Encontrei a razão de ser

 

Mais paixão querida,

Instalada, enlouquecida

Mais paixão bem-vinda

 

(Refrão)

Novo pedal, novo olhar

A velha forma de amar  

 

Não há como imaginar

Pedalar nos teus laços

Em um passeio sem cansaço

 

Só querendo passear

Sem nada a mais querer

Sem em nada mais pensar

 

(Refrão)

Novo pedal, novo olhar

A velha forma de amar

 

É isso aí, minha amiga

Companheira

É isso aí, minha amiga

Derradeira

É isso aí, minha amiga

Não é brincadeira

 

(Refrão)

Novo pedal, novo olhar

A velha forma de amar

 

Composição -  Hiran de Melo & Boy

Intérpretes: Boy & Bielzin

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 08 do Álbum Sons da Terra & Gente – 2022

Vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=u2RKVjo73OY

 

Vida de ciclista - depoimento

Por Hiran de Melo

A canção se constrói como um poema que celebra a bicicleta não apenas como objeto, mas como metáfora da própria existência. O movimento do pedal é traduzido em movimento interior: cada giro da roda abre horizontes, cada curva revela novas paisagens, cada pausa é convite à contemplação.

O texto revela uma paixão que não se limita ao esporte, mas que se instala como força vital — “instalada, enlouquecida, bem-vinda” — e que transforma o ato de pedalar em entrega e celebração. A bicicleta surge como companheira, amiga fiel, presença que acompanha e conforta, humanizada pela repetição carinhosa de “minha amiga”.

O refrão, ao contrapor “novo pedal, novo olhar” com “a velha forma de amar”, cria uma tensão poética entre mudança e permanência. O mundo se renova a cada pedalada, mas o amor permanece como raiz, como âncora que dá sentido à travessia.

Há também uma valorização da simplicidade: o desejo de “só querer passear” evoca uma busca por paz, por contato genuíno com a natureza, por experiências que não precisam de mais nada além da própria vivência.

Assim, o poema transcende a descrição de uma prática esportiva e se torna canto existencial. É celebração da liberdade, da paixão e do companheirismo, convite para que cada um pedale pelas estradas da vida com leveza, descobrindo no ritmo das rodas o ritmo da própria alma.

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