Tu Tudo Podes
Hiran de Melo & Majda
Hamad Pereira
Menina, tu podes fugir
Do meu abraço
Do meu laço
Fugir, podes fugir
Menina, tu podes partir
Pela terra, pelo mar
Pelo fogo, pelo ar
Partir, podes partir
(Coral 1)
Menina que tudo podes
Só não podes fugir, não
Do meu pensamento que habita
Na tu imaginação
Ele irá aonde tu fores
E nele estou
Como flores
A ti namorar
E em ti provocar
Infinitos ardores
(Coral 2)
Menina que tudo podes
Só não podes fugir, não
Do sentimento que habita
No teu coração
Ele irá aonde tu fores
E nele estou
Como beija-flores
A ti beijar
E em ti provocar
Infinitos ardores
(Coral, acelerando)
Assim, simplesmente assim
Que tudo podes
E nada podes
Além de mim.
Composição -
Hiran de Melo & Majda Hamad Pereira & Boy
Intérpretes: Boy & Bielzin
Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy
Faixa 01 do Álbum Sons da Terra & Gente – 2022
Publicado no blog: Álbuns
– Letras de Músicas
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=f4wfP18aH4o
Entre a Liberdade e o Labirinto do Amor
Por Hiran de Melo
O
poema “Tu tudo podes” se constrói como um canto paradoxal: ao mesmo
tempo em que concede à amada a liberdade de partir, revela que essa liberdade é
apenas aparente, pois o amor do eu lírico se impõe como presença inevitável.
Estrutura
e repetição
A cadência dos versos, marcada pela
insistência em “podes fugir” e “ele irá aonde tu fores”, cria um ritmo quase
ritualístico. Essa repetição funciona como um mantra, reforçando a ideia de que
o amor é onipresente, inescapável, e que a fuga é apenas uma ilusão.
Natureza
como espelho da paixão
As
imagens de flores e beija-flores não são meros adornos bucólicos, mas símbolos
de uma força vital que se manifesta em desejo. A natureza se torna cúmplice do
eu lírico, traduzindo em gestos delicados — o namorar das flores, o beijo dos
pássaros — a intensidade de um sentimento que não se contém.
Liberdade
e rendição
O
verso final, “Que tudo podes/E nada podes/Além de mim”, concentra o núcleo
dramático do poema: a amada é livre em aparência, mas prisioneira do afeto.
Essa prisão, no entanto, não é imposta, mas aceita. Há uma entrega voluntária,
uma rendição que transforma o amor em destino.
A
ambivalência da paixão
O
texto revela que amar é habitar um espaço de contradições: movimento e
imobilidade, liberdade e aprisionamento, concessão e domínio. O eu lírico não
apenas declara amor, mas constrói um labirinto afetivo onde a amada, mesmo
podendo partir, permanece inevitavelmente ligada.
Assim,
o poema não é apenas uma celebração da força do amor, mas também uma reflexão
sobre sua natureza paradoxal: ele liberta e aprisiona, concede e exige, acolhe
e domina. É nesse jogo de tensões que se revela a plenitude da experiência
amorosa.
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