Por acaso

Hiran de Melo & Gelda Moura

 

Ao te encontrar

Na rua deserta da cidade

Ouvindo cântico da imensidão

(Coral)

Madrugada sepultada

Magia, dor e paixão.

 

Acompanhando o passo

Esquecendo o compasso

Saindo do sonho à desilusão

(Coral)

Madrugada sepultada

Magia, dor e paixão.

 

Vais, bebes a tua ingratidão

Deixa-me aqui na calçada

A espera de uma nova ilusão

(Coral)

Madrugada sepultada

Magia, dor e paixão.

 

Ao som de um solitário bandolim

Que fará poesias esquecidas de mim

Dá espaço à nova canção

(Coral)

Madrugada sepultada

Magia, dor e paixão.

 

Composição -  Hiran de Melo & Gelda Moura & Boy

Intérpretes: 🎤 Boy & Bielzin

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 05 do Álbum Som da Terra & Gente

Vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=JOaAwHqEA7Y

 

Por Acaso

Por Hiran de Melo

O poema se desenha como um encontro entre o acaso e o destino — uma madrugada que se sepulta, deixando no ar o eco de uma paixão que se desfaz. O eu lírico caminha pela rua deserta, entre o sonho e a desilusão, guiado por uma música que parece vir da própria imensidão.

O encontro e o instante

 “Na rua deserta da cidade” é o cenário do inesperado, onde o silêncio da madrugada se torna palco para o encontro. A “madrugada sepultada” é metáfora da transição — o fim de um tempo mágico, o início da consciência da perda. O acaso, aqui, não é leveza, mas destino disfarçado.

A dança interrompida

 “Esquecendo o compasso” revela o desencontro dos corpos e das almas. O ritmo que antes unia agora se perde, e o amor se transforma em descompasso. O eu lírico acompanha o passo do outro, mas já não participa da dança — é espectador da própria desilusão.

A ingratidão e o abandono

 “Vais, bebes a tua ingratidão” é verso de rara força simbólica. A ingratidão é bebida amarga, veneno que dissolve o vínculo. O abandono na “calçada” é o retrato da solidão urbana — o amor que se despede e deixa o sujeito à espera de uma nova ilusão.

A música como renascimento

 O “solitário bandolim” surge como voz da esperança. A arte, nesse instante, é remédio e revelação. As “poesias esquecidas” renascem no som, e o eu lírico encontra na música o caminho para se reconstruir. A “nova canção” é o gesto de quem transforma dor em criação.

Conclusão

“Por Acaso” é um canto sobre o poder do encontro e da perda, sobre o amor que nasce e morre na mesma madrugada. É também uma celebração da arte como força de cura — o bandolim que toca o que restou do silêncio, o som que devolve sentido à espera.

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