A Dança do Coração

Hiran de Melo

 

Agora que você chegou

Trazendo o renascimento

Sua presença apagou

Todo o ressentimento

 

Uma vida sem amor

É a morte em vida

Uma vida sem ardor

É uma ilusão, querida.

 

Fez do balanço do mar

O abraço às águas do rio

E o rio adoçando o mar

E o mar salgando o rio

 

Agora que você chegou

Trazendo o encantamento

Sua presença iluminou

Todo o contentamento

 

Uma vida sem amor

É a morte em vida

Uma vida sem ardor

É uma ilusão, querida.

 

Composição -  Hiran de Melo & Boy

Intérpretes: Boy & Bielzin

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 11 do Álbum Sons da Terra & Gente – 2022

Vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=-qdP9i3uVx8

 

A Dança do Coração — depoimento

Por Hiran de Melo

A canção é um rito de renascimento. Cada verso pulsa como um coração que desperta após o longo silêncio da ausência. A chegada do amor é descrita como aurora — dissolvendo sombras, apagando o ressentimento, restituindo à alma sua luz original. O encontro não é apenas físico: é espiritual, é o instante em que o ser reencontra sua própria essência através do outro.

O poema revela que o amor é força vital, não ornamento. “Uma vida sem amor é a morte em vida” — aqui, o verso torna-se sentença iniciática, lembrando que viver sem ardor é existir sem alma. O amor é o fogo que anima, o sopro que dá sentido à travessia humana.

Na metáfora do rio e do mar, o texto alcança sua plenitude simbólica. O doce e o salgado se misturam, o abraço das águas torna-se imagem da união perfeita — dois seres distintos que se transformam mutuamente. O rio adoça o mar, o mar tempera o rio: é o equilíbrio entre opostos, o diálogo entre o feminino e o masculino, entre o que acolhe e o que expande.

A repetição dos versos reforça o caráter ritual da canção. Cada retorno é um novo ciclo, uma reafirmação da vida que se renova pelo amor. O refrão funciona como mantra, lembrando que o coração só dança quando encontra outro coração disposto a pulsar no mesmo ritmo.

No fim, “A Dança do Coração” transcende o amor romântico. É celebração da harmonia universal — o encontro das águas, dos seres, das almas. É convite à entrega, à leveza, à comunhão. O poeta transforma o sentimento em movimento, e o movimento em oração: o amor como dança sagrada, onde cada passo é um gesto de renascimento.

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