Aprendendo a sonhar
Por Hiran
de Melo & Josivan Brasil
Deitado na cama
Olhando à parede
Sinto como são distintas
Uma é quente
A outra é fria.
Deitado na cama
Olhando à parede
Sinto como são semelhantes
A cama é solta, mas prende
A parede é presa, mas liberta.
Deitado na cama
Olhando à parede
Estou aprendendo a dormir
E o Absurdo contemplando.
Deitado na cama
Olhando à parede
Estou vendo a porta abrir
E o Absurdo se revelando.
No mundo dos sonhos
Há alguém sorrindo
Quem me acolhe e me prende
Também é presa e acolhida
No meu quarto frio e libertador.
(Vocal)
Sorriso que ensina a dormir
Sorriso que ensina a sonhar.
Composição:
Hiran de Melo &
Josivan Brasil & Boy
Intérpretes: Boy &
Bielzin
Arranjos e Gravação:
Studio Washington Boy
Faixa 10 do Álbum Trilhas e Estradas da Vida
Publicado no blog: Álbuns
– Letras de Músicas
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=-5ntbml6vfY
Aprendendo a sonhar - depoimento
Por Hiran de Melo
O
poema “Aprendendo a Sonhar” se abre como um sacramento do cotidiano: o
gesto simples de estar deitado na cama, olhando a parede, torna-se portal para
dimensões mais profundas da existência. Cada verso é uma chave que revela o
invisível por trás do visível, transformando o banal em revelação.
Dualidade
como revelação
A cama e a parede não são apenas objetos, mas
símbolos que se entrelaçam em tensão. A cama, solta mas aprisionadora; a
parede, presa mas libertadora. Essa inversão mostra que liberdade e prisão não
se excluem, mas coexistem como forças que revelam a complexidade da vida. O eu
lírico descobre que o mundo é feito de paradoxos, e que é justamente no
entrechoque dos opostos que se abre o espaço da contemplação.
O
absurdo como passagem
Quando
a porta se abre, não é apenas um movimento físico: é a mente que se abre para o
desconhecido. O absurdo surge como presença reveladora, desestabilizando
certezas e convidando à transcendência. Ele não é caos, mas convite — um
chamado para atravessar os limites da lógica e adentrar o território do sonho,
onde o inconsciente se manifesta como espaço de criação.
O
sorriso como sacramento
No mundo dos sonhos, o sorriso aparece como
guia. Ele acolhe e prende, ilumina e inquieta. É um gesto que ensina tanto a
dormir quanto a sonhar, revelando que o descanso e a imaginação são faces de
uma mesma experiência. O sorriso é metáfora da esperança: mesmo diante do frio
e da estranheza, há sempre uma luz capaz de transformar o absurdo em beleza.
Síntese
contemplativa
O poema é uma jornada iniciática: começa na
observação do cotidiano, atravessa o estranhamento do absurdo e culmina na
descoberta de um espaço de criação e redenção. Sonhar, aqui, não é fuga, mas
resistência contra o vazio. É aprender a transformar o limite em portal, o
silêncio em revelação, o sorriso em promessa de futuro.
Assim, “Aprendendo a Sonhar” nos convida a reconhecer que cada gesto simples — deitar, olhar, sorrir — pode ser ponte entre o humano e o eterno.
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