Respiro você
Por
Hiran de Melo & Gelda Moura
A estrela minha brilha no céu interior
Ela não é totalmente minha, mas o céu é
Algo inquieta, assusta, traz temor
Espanta o sono, na noite de São Tomé
Quando o cansaço e a fome fazem dormir
O bater do seu coração me desperta
Cantando a liberdade ele me alerta
Preciso ficar, mas o desejo é partir
(Coral)
Respiro você em todas as direções
Respiro você em todas as canções
Divido o coração do amante é
Uma parte chama e outra lhe contém
Vivo preso ao futuro que advém
Com um olhar no passado até
A amada me penetra escavando o coração
O amor se faz desejo de aliança
Minha alma estremece como criança
Tudo me faz ficar parado na estação
As multiplicidades se tornam UM em você
Fico em um estado além da embriaguez
Quero o presente do seu beijo em total lucidez
Aceito as sombras e as luzes contidas no amanhecer
(Coral)
Respiro você em todas as direções
Respiro você em todas as canções
Composição - Hiran de Melo & Gelda Moura & Boy
Intérpretes: Boy &
Bielzin
Arranjos e Gravação:
Studio Washington Boy
Faixa 07 do Álbum Trilhas e Estradas da Vida
Publicado no blog: Álbuns
– Letras de Músicas
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=JY4E9M_Phss
Respiro você - depoimento
Por Hiran de Melo
A
leitura de Respiro Você revela uma tessitura poética que se constrói
como sacramento e meditação. O poema nasce da intensidade do amor, força vital
e contraditória, que ao mesmo tempo divide e unifica, assusta e sustenta. A
estrela que brilha no “céu interior” inaugura essa jornada: não é apenas
imagem, mas símbolo de transcendência, de uma verdade íntima que se abre para o
infinito e expõe o sujeito à ambiguidade entre revelação e abismo.
O
coração que desperta na noite é metáfora da pulsação da liberdade e da prisão
emocional. O eu lírico se vê suspenso entre permanecer e partir, entre desejo e
contenção. Essa tensão é o motor da poesia, que não se limita a descrever o
amor, mas o convoca como experiência espiritual. O refrão — “Respiro você em
todas as direções, Respiro você em todas as canções” — funciona como mantra,
repetição que aprofunda e convida à interioridade. O amor torna-se ar, música,
presença absoluta, dissolvendo fronteiras entre o eu e o outro.
O
cotidiano e o sagrado se entrelaçam: o trem parado na estação, o amanhecer que
traz sombras e luzes, o coração que desperta na noite. São imagens simples que
se transfiguram em metáforas vivas, revelando o invisível por trás do visível.
O amante, fragmentado entre passado e futuro, expõe sua vulnerabilidade diante
da penetração da amada em seu coração. A imagem da criança traduz essa
fragilidade, enquanto a estação sugere paralisia: o amor retém, mas também abre
horizontes.
O
verso “As multiplicidades se tornam UM em você” sintetiza a experiência: o
amor, mesmo contraditório, é unificador. Ele acolhe sombras e luzes, revelando
que amar é aceitar a totalidade do outro e de si mesmo. O poema não fecha sua
mensagem; abre-se como pergunta, como espelho, convidando o leitor a se
reconhecer nele e a nascer de novo para o mundo através da contemplação.
Assim,
Respiro Você é mais que canção: é meditação e celebração da complexidade
amorosa. Um texto que ilumina o cotidiano e o revela como espaço de
transcendência, onde cada palavra é respiração e cada silêncio é revelação. É
resistência contra o vazio, entrega ao amor em sua forma mais profunda e
transformadora, presença absoluta que se torna essência e horizonte.
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