Leve-me, sou leve

Por Hiran de Melo

O que carrego, temporário ou não

E onde carrego, na alma ou na mão

É sempre um peso, peso, peso

O que deixo e onde deixo

É sempre leve, leve, leve

Leve, leve, é sempre leve

Leve-me para você

Mas não me carregue

Leve-me com você

Não se sobrecarregue

 Não pense o que fazer comigo

Faça, faça.

Não pense em o que fazer de mim

Abrace, abrace.

 Leve-me, sou leve

Leve-me, sou leve

Sou leve, leve, leve

Sou leve, leve, leve-me.

Sou leve, leve, leve

Sou leve, leve, leve-me.

 Composição - Hiran de Melo

Intérprete solo: Boy

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 01 do Álbum Caminhando nas nuvens – 2025

Vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=EgjV64ZpCCg

https://youtu.be/Vh298c4JGws?si=ldYYjfWa0AIq5x0q

Intérprete solo: Boy

Faixa 02 do Álbum Caminhando nas nuvens – 2025

Solo: Maestro Boy

 

ANEXO: Análise da letra da música

Entre o Peso e o Abraço: A Poética da Leveza

Por Hiran de Melo

O poema se desenha como um convite delicado à leveza, não como ausência de dor, mas como escolha consciente diante do peso inevitável da existência. A repetição de “Leve-me, sou leve” não é apenas refrão — é insistência poética, é resistência contra a sobrecarga emocional que tantas vezes nos define.

Peso e leveza como tensão existencial

Desde os primeiros versos, o texto contrapõe o que se carrega ao que se deixa. O peso está no que se acumula — seja na alma ou na mão — enquanto a leveza reside no desapego, na entrega, no deixar ir. Essa dualidade não é apenas estética, mas filosófica: viver é equilibrar o fardo do que se sente com a leveza do que se escolhe não reter.

O amor como convite, não posse

 “Leve-me para você / Mas não me carregue” revela uma ética do afeto que recusa a prisão. Amar não é carregar o outro como peso, mas caminhar ao lado, sem sufocar. O poema propõe uma relação onde o gesto vale mais que o plano, onde o abraço é mais potente que o pensamento.

A repetição como música e afirmação

 A insistência nos versos “Sou leve, leve, leve / Sou leve, leve, leve-me” transforma a linguagem em ritmo, em mantra. Essa musicalidade não é apenas melódica, mas simbólica: repetir é reafirmar, é resistir, é lembrar ao outro — e a si mesmo — que a leveza é possível, mesmo quando o mundo pesa.

A leveza como escolha ética

 O poema não nega o peso da vida, mas escolhe cantar a leveza. Essa escolha é política, é afetiva, é espiritual. Ser leve não é ser superficial, mas profundo o suficiente para não se deixar afundar. É uma filosofia do cuidado, onde o amor se manifesta como presença que não oprime, como gesto que não exige, como companhia que não pesa.

Em sua essência, o texto é um chamado à ternura ativa: não pense, abrace. Não carregue, leve. É uma poética da leveza que reconhece o peso, mas escolhe o voo.


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