Venhas a mim

Por Hiran de Melo

 

Venhas a mim

Precisamos continuar caminhando

Neste cemitério de almas mortas

O teu apoio é mais que especial

 

(Vocal)

A tua luz irá me encontrar

E ela me reconhecerá

Criador e criatura

 

Venhas pra mim

Preciso continuar cantando

Neste deserto das almas mortas

A tua presença é conforto existencial

 

(Vocal)

A tua luz irá me encontrar

E ela me reconhecerá

Criador e criatura

 

Venhas pra mim

Preciso continuar vibrando

Neste vale de pirâmides tortas

O teu sopro é vitalizante presencial

 

(Vocal)

A tua luz irá me encontrar

E ela me reconhecerá

Criador e criatura

 

Composição -  Hiran de Melo & Boy

Intérpretes: Boy & Bielzin

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 04 do Álbum Trilhas e Estradas da Vida

Publicado no blog: Álbuns – Letras de Músicas

Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=v7STbTGVNIw

 

Venhas a mim - depoimento

Por Hiran de Melo

O poema se ergue como um chamado íntimo, um convite que nasce da solidão e se transforma em busca de encontro. Cada verso é tecido com imagens de deserto, cemitério e vale — símbolos de um mundo árido, despovoado de sentido, onde o eu lírico caminha em meio às ruínas da existência. Esse cenário sombrio não é apenas paisagem, mas metáfora da condição humana: o vazio que todos enfrentamos em algum momento.

Isolamento e vazio

As figuras do “cemitério de almas mortas” e do “vale de pirâmides tortas” evocam a sensação de desorientação, como se o passado estivesse em ruínas e o presente fosse um labirinto sem saída. Há uma angústia existencial que permeia o texto, um eco de finitude que se impõe sobre o caminhar.

Busca por luz e conexão

 No entanto, dentro dessa escuridão, surge a promessa da luz. O verso “A tua luz irá me encontrar / E ela me reconhecerá” revela a esperança de que algo — seja uma presença humana ou uma força superior — possa iluminar o caminho. A luz aqui não é apenas ausência de trevas, mas energia vital, capaz de renovar e dar sentido. É o farol que guia, o sopro que sustenta.

Criador e criatura

 A repetição hipnótica de “Criador e criatura” abre espaço para uma reflexão mística: o encontro entre o humano e o divino, entre o finito e o infinito. Essa dualidade sugere reconciliação, como se o eu lírico buscasse não apenas companhia, mas também pertencimento cósmico.

Superação e esperança

 O refrão “Venhas a mim” funciona como mantra, insistente e necessário. É o grito de quem não se rende ao deserto, mas insiste em cantar, vibrar e criar. A repetição traduz a força da vontade de superar, de transformar a dor em movimento e a solidão em encontro.

Em essência, o poema é um espelho da alma humana: revela o peso da solidão, mas também a potência da esperança. É um convite à presença, à reciprocidade e ao reconhecimento mútuo. A poesia aqui não se limita a descrever o vazio; ela abre espaço para que a luz — seja de outro ser ou de uma dimensão espiritual — nos alcance e nos devolva o sentido de caminhar.

Se pensarmos em nossa própria jornada, talvez possamos nos perguntar: em quais momentos a luz nos encontrou e nos reconheceu, mesmo quando tudo parecia perdido?

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