Virgem Mãe

Por Hiran de Melo

 

Adentrei pelas caatingas sem fim

O sol iluminava e queimava

Tal qual estrela em zênite

Em busca do seu olhar em mim.

 

A gota do suor, que rolava

Pelo meu rosto, caía

O solo, árido e seco, sorria.

 

Só o amor da Bonita Maria

Faria a imagem do inferno

Parecer cenário de inverno

Porque ela vê e quer o bem.

 

Amparei-me na fé ardente

Reergui-me na prece.

 

Da esperança ouço a corrente

Minha alma estremece

Sei que a voz é sua

Você está ali e aqui

Mas não é uma miragem

Nem fruto da minha paixão

Resposta ao palpitar do coração.

 

Vejo em você o ardor

De quem nunca perdeu

Ou de fé trocou, encanta

Uma mãe virgem canta

Um único amor.

 

Tenho certeza, eu sei o que nina

A esperança foi ao encontro da fé

Abraçando a noite iluminada até

Pelo cântico da poetisa menina.

 

Composição -  Hiran de Melo & Bielzim

Intérprete: 🎤 Boy & Bielzim

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 01 do Álbum Princesa dos Céus Azuis 2021

Publicado no blog: Álbuns – Letras de Músicas

Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=kLQgJow896E

 

Virgem Mãe – depoimento

Por Hiran de Melo

O poema Virgem Mãe é, para mim, uma travessia espiritual — uma jornada de fé e de reencontro com o divino através da figura maternal de Maria. Quando escrevi esses versos, senti como se estivesse caminhando pelas caatingas da alma, sob um sol que queima e ilumina ao mesmo tempo. A paisagem árida é o reflexo da busca interior, da secura que antecede o milagre da fé.

A “Bonita Maria” surge como o oásis dessa travessia. Ela é o ponto de luz que transforma o inferno em inverno, o sofrimento em serenidade. Seu amor é tão poderoso que reconfigura o mundo ao redor — o calor se torna acolhimento, a dor se torna aprendizado. É a força da fé que transfigura o desespero em esperança.

Quando digo “Amparei-me na fé ardente, reergui-me na prece”, falo de um gesto de entrega. É o momento em que o coração se curva diante do mistério e encontra, na oração, o impulso para continuar. A fé é o chão firme sob os pés cansados; a esperança, o vento que empurra para frente.

Maria, nesse poema, não é apenas símbolo religioso — é presença viva, é voz que ecoa dentro do silêncio. “Você está ali e aqui” expressa essa dualidade: o divino que habita o mundo e o íntimo, o sagrado que se revela no cotidiano.

A imagem da “mãe virgem” é o ápice dessa jornada. Ela representa o amor puro, o amor que não se perde, que não se corrompe. É o amor que acolhe, que canta, que nina a esperança. Quando escrevo “A esperança foi ao encontro da fé”, sinto que descrevo o instante em que o humano toca o divino — quando o coração, cansado de buscar, finalmente encontra repouso.

No fundo, Virgem Mãe é um cântico à fé que renasce mesmo nas terras secas da existência. É sobre o poder de acreditar, de seguir, de se reerguer. É sobre o milagre silencioso que acontece quando a alma, em meio à aridez, ouve o cântico da “poetisa menina” — e descobre que a luz nunca deixou de brilhar.

Por fim, este poema é uma oração em forma de poesia, um encontro entre o homem e o sagrado, entre o deserto e a esperança, entre o suor da busca e o abraço da fé.

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