O mistério da paixão

Por Hiran de Melo

 

O poeta sagrado revela que o Altíssimo

Colocou no coração do homem o Infinito, a Imortalidade

Um grande mistério: um ser finito, mortal e singular

Traz no centro de si mesmo a Imensidão, a Eternidade.

 

Maravilhado pela Luz que no seu coração habita

O homem contempla a humanidade

Busca nela um olhar acolhedor

E o encontra em uma mulher aflita.

 

O homem colocando o sentido da vida

Nas mãos da mulher, lhe diz:

Você é a bem-amada, é a escolhida.

 

(Coral)

Passando a amá-la de graça

E pela Graça que vem do Altíssimo.

 

Da maneira que é próprio ao Infinito

Todos os dias, cada vez mais a amou

E, também, amando até o inimigo

Conforme o Filho lhe recomendou.

 

Embora o Altíssimo tenha, também,

Colocado no coração da mulher o Tesouro

Ela não compreendeu a Obra da Paixão

Não sabendo aceitar tamanha “loucura”

Jogou ao mundo o que lhe queimava a mão.

 

(Coral)

A partir do menino que era

O homem foi envelhecendo, morrendo

Quem lhe devolverá o coração?

 

Composição -  Hiran de Melo & Bielzim

Intérprete: 🎤 Boy & Bielzim

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 02 do Álbum Princesa dos Céus Azuis 2021

Publicado no blog: Álbuns – Letras de Músicas

Vídeo:

https://youtu.be/WRhxDKaYoVI?si=vVLG87eQIpkVjEBY

 

O mistério da paixão - depoimento

Por Hiran de Melo

O poema O Mistério da Paixão é, para mim, uma meditação sobre o paradoxo humano: ser finito e mortal, mas carregar dentro de si a centelha do Infinito. Quando escrevi esses versos, quis revelar esse espanto — o homem que, maravilhado pela luz que habita o seu coração, busca no amor uma forma de tocar a eternidade.

A entrega do homem à mulher é apresentada como absoluta, quase sagrada. Ele coloca o sentido da vida em suas mãos, chamando-a de “bem-amada” e “escolhida”. Esse gesto é mais do que paixão: é uma tentativa de imitar o amor divino, aquele que ama sem medida, que ama até o inimigo, como o Filho ensinou. É uma loucura, sim — mas é a loucura própria do amor que transcende a lógica humana.

No entanto, o poema também mostra o limite da compreensão. A mulher, mesmo trazendo em si o “Tesouro”, não consegue aceitar essa intensidade, essa entrega sem reservas. Ela rejeita, como quem não suporta segurar algo que queima. Esse contraste revela a fragilidade humana diante do mistério da paixão: o divino se oferece, mas o humano hesita.

A imagem final, do homem envelhecendo e morrendo, é uma pergunta aberta: “Quem lhe devolverá o coração?” É o reconhecimento de que o amor, quando não é acolhido, deixa marcas de perda, de vazio. Mas também é uma provocação: talvez o coração só se devolva quando o humano aprender a aceitar a loucura do amor divino.

No fundo, O Mistério da Paixão é sobre essa tensão entre o eterno e o efêmero, entre a graça e a incompreensão. É um canto que nos lembra que o amor é sempre maior do que nós, e que nossa tarefa é aprender a suportar sua intensidade.

Se eu pudesse resumir, diria que este poema é uma oração em forma de pergunta: uma busca por sentido no encontro entre o humano que teme e o divino que insiste em amar.

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