A voz do despertar

Por Hiran de Melo

 

Uma doce brisa aconteceu

Quando o despertar da lua

Colocou o poeta na rua

O incógnito apareceu.

 

Quando alguém falou

Sou toda tua

Vestida ou nua

Assim se apresentou.

 

Uma lágrima gemida...

Devore-me agora

Não espere a hora

Já estou bebida e comida.

 

Na mais derradeira idade

Na subida da última ladeira

Em um gozo de primeira

Sua voz iluminou toda cidade.

 

Composição -  Hiran de Melo & Boy

Intérprete: 🎤 Boy & Bielzim

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 05 do Álbum Princesa dos Céus Azuis 2021

Publicado no blog: Álbuns – Letras de Músicas

Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=ylRFIo7hqSw

 

A voz do despertar - depoimento

Por Hiran de Melo

Escrever A Voz do Despertar é como abrir os olhos para o instante em que o silêncio se torna verbo. Há algo de sagrado nesse momento em que o poeta se vê lançado à rua pela lua — não por vontade própria, mas por um chamado invisível que o arranca do repouso e o coloca diante do mistério. A brisa que inaugura o poema não é apenas um sopro da natureza; é o prenúncio de uma revelação, o primeiro toque do desconhecido que se aproxima com doçura e ousadia.

A figura que diz “Sou toda tua, vestida ou nua” não é apenas um corpo, mas uma presença que encarna o desejo e a entrega. Ela é o espelho onde o poeta se reconhece vulnerável, despido de máscaras, entregue à vertigem do encontro. Nesse instante, o amor deixa de ser promessa e se torna experiência — uma fusão entre o humano e o divino, entre o que se deseja e o que se teme.

Há uma urgência que atravessa cada verso, uma fome que não espera o tempo certo. “Devore-me agora, não espere a hora” é o grito da alma que não aceita adiamentos. É o amor que se consome no próprio fogo, que se faz lágrima e prazer, dor e redenção. Essa entrega total é o despertar — não apenas do corpo, mas da consciência, do ser que finalmente se reconhece vivo.

E quando a voz ilumina toda a cidade, o poema se torna transcendência. A paixão individual se expande, reverbera, toca o coletivo. A cidade iluminada é o símbolo da transformação que o amor provoca — o poder da palavra que desperta, que acende, que faz o mundo respirar de novo. Nesse ponto, o poeta não fala mais de si; ele fala de todos nós, dos que buscam, dos que se entregam, dos que se permitem ser tocados pela luz.

A Voz do Despertar é, portanto, um rito. Um convite à coragem de sentir, à ousadia de se deixar transformar. É o instante em que o humano toca o eterno — e, por um breve segundo tudo se torna plenitude.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog