Lutando com o dragão
Por Hiran
de Melo
Garoto, quando te vejo na
lua
Lutando com o dragão
Não importa o que eu faço
Só te vejo em fino traço
Dentro do meu coração.
(Refrão)
Garoto, eu sinto um troço
Não sei o quê
Nem o porquê
De tanta emoção
Garoto, quando vou ao teu
espaço
Fico bobo, fico palhaço
Abraçado ao teu jeito
Tudo parece que foi
perfeito
Para me enlouquecer.
(Refrão)
Garoto, eu sinto um troço
Não sei o quê
Nem o porquê
De tanta emoção.
Garoto, a tua chegada
Trouxe alvoroço e
trovoada
Poderosa presença que se
atreve
A expulsar tudo que é
leve
Até o amanhecer.
(Refrão)
Garoto, eu sinto um troço
Não sei o quê
Nem o porquê
De tanta emoção
Composição - Hiran de Melo & Washington Boy
Interprete: Washington
Boy
Arranjos e Gravação:
Studio Washington Boy
Faixa 10 do Álbum Inverno
no Cariri 2020
Publicado no blog: Álbuns
– Letras de Músicas
Vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=jQWBc6ibbYs
https://www.youtube.com/watch?v=PziwKWFn49g
https://www.youtube.com/watch?v=WUSbPATNaKM
Lutando com o dragão – depoimento
Por Hiran de Melo
O poema Lutando com o Dragão é uma travessia emocional, uma espécie de batalha entre o encanto e o desassossego que o amor provoca. Quando escrevo — ou melhor, quando sinto — essa canção, é como se o “garoto” fosse uma força cósmica, uma presença que desarruma tudo dentro de mim. Ele não é apenas alguém; é um símbolo, um arquétipo, uma tempestade que chega para me fazer enfrentar o que há de mais profundo e indomável no meu próprio ser.
A
lua, o dragão, a luta — são imagens que nasceram da necessidade de traduzir o
impacto do encontro com o outro. Ver o garoto “na lua” é vê-lo num espaço de
sonho, de idealização, onde o real se mistura com o imaginário. A lua é o
espelho do inconsciente, e o dragão, a força que desafia, que exige coragem
para ser enfrentada. Essa luta não é contra o outro, mas contra mim mesmo —
contra o medo, contra o desejo, contra o que me faz perder o controle.
Quando
digo “Garoto, eu sinto um troço”, estou confessando o inexplicável. É o corpo
que fala antes da razão, é o coração que se adianta à palavra. Esse “troço” é o
nome que dou àquilo que não sei nomear — o amor, o fascínio, o desvario. É o
instante em que o sentimento se torna tão intenso que ultrapassa o limite da
linguagem.
Há
também uma leveza escondida na loucura: “Fico bobo, fico palhaço”. É o amor que
nos faz rir de nós mesmos, que nos desmonta, que nos torna vulneráveis e, por
isso mesmo, humanos. O garoto chega e traz “alvoroço e trovoada” — ele é a
tempestade que varre o que é leve, que expulsa a calmaria, mas que também
renova, que limpa o ar para o amanhecer.
No
fundo, Lutando com o Dragão é sobre o poder transformador do amor. É
sobre o encontro com aquilo que nos desestabiliza para nos fazer crescer. O
dragão é o símbolo da força que precisamos enfrentar para descobrir quem somos.
E o garoto, essa presença luminosa e inquietante, é o espelho onde me vejo —
frágil, apaixonado, vivo.
Se eu
pudesse resumir, diria que essa canção é o retrato de um coração em combate:
entre o medo e o desejo, entre o sonho e o real. É o amor como luta, mas também
como revelação — porque, ao lutar com o dragão, descubro que ele sempre esteve
dentro de mim.
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