Apesar dos bárbaros

Por Hiran de Melo

 

Enviei mil legiões urbanas

Para te resgatar

Mas os bárbaros, os bárbaros...

 

Enviei outras tantas legiões

Para te resgatar

Mas os bárbaros, os bárbaros...

 

Um dia sem legiões

Para te resgatar

Voltarás aos meus braços

Apesar dos bárbaros, dos bárbaros...

 

O mar vermelho será engolido

Pelo céu azul

Límpido azul

Que vejo nos teus olhos

Nos teus sonhos

Busco te encontrar.

 

Composição -  Hiran de Melo & Washington Boy

Intérprete: Washington Boy

Arranjos e Gravação: Studio Washington Boy

Faixa 11 do Álbum Inverno no Cariri 2020

Publicado no blog: Álbuns – Letras de Músicas

Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=gJwC_x7KXfM

https://www.youtube.com/watch?v=xetL3cm7Hgs

 

Apesar dos bárbaros – depoimento

Por Hiran de Melo

O poema Apesar dos Bárbaros é, para mim, uma declaração de resistência — uma canção que nasce do confronto entre o desejo de resgatar o que é puro e as forças que insistem em nos afastar disso. Quando escrevo esses versos, sinto que estou falando de uma batalha que não é apenas externa, mas profundamente interior. Os “bárbaros” são tudo aquilo que nos ameaça: o medo, o tempo, a distância, as dores que nos impedem de amar plenamente.

As “legiões urbanas” que envio são as tentativas humanas de lutar contra o caos — são as palavras, os gestos, os esforços para preservar o que é essencial. Mas, mesmo assim, “os bárbaros, os bárbaros...” continuam a cercar, como se fossem parte inevitável da existência. Essa repetição é um eco da impotência, mas também da persistência. É o reconhecimento de que, apesar de tudo, há algo que resiste — o amor, a esperança, o desejo de reencontro.

Quando escrevo “um dia sem legiões para te resgatar, voltarás aos meus braços”, falo de um momento de rendição, mas não de derrota. É o instante em que deixamos de lutar com as armas da razão e nos entregamos à força do sentimento. É como se, ao cessar a guerra, o amor encontrasse seu caminho de volta, apesar dos bárbaros.

O “mar vermelho” e o “céu azul” são imagens que carregam essa dualidade: o conflito e a paz, o sangue e a serenidade, o caos e a harmonia. O mar vermelho é o mundo em convulsão, o campo de batalha das emoções. O céu azul é o olhar da pessoa amada, o refúgio, o horizonte onde tudo se acalma. Quando o mar é engolido pelo céu, há uma fusão — o fim da guerra, o início da paz.

No fundo, Apesar dos Bárbaros é sobre acreditar na força do que é verdadeiro. É sobre continuar buscando, mesmo quando tudo parece perdido. É sobre saber que, por mais que os bárbaros nos cerquem, há sempre um céu azul esperando para nos acolher.

Se eu pudesse resumir, diria que este poema é um cântico à esperança — uma lembrança de que o amor, quando é real, sobrevive a todas as invasões.

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