Abraçando a fogueira
Por Hiran de Melo
Quando eu me for
Antes de morrer
Deixarei saudade
Até da banalidade
Que fizemos juntos.
Cantando ao balão
Que ilumina o céu junino
Dentro dele sonhado,
feito menino
Sem lembrar do fim de
tudo
Que construímos juntos.
Dançando na fogueira
Para melhor acendê-la
Dentro do nosso abraço
Com toda a alegria
ligeira
Do maior São João do
Mundo.
Quando eu me for
Levarei você
Queira ou não
Dentro do meu coração
Em um beijo mais
profundo.
Composição - Hiran de Melo & Boy
Interprete: 🎤 Boy
Arranjos e Gravação:
Studio Washington Boy
Faixa 04 do Álbum Inverno
no Cariri 2020
Publicado no blog: Álbuns
– Letras de Músicas
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=sLcJiZkI15U
https://www.youtube.com/watch?v=8GN0gw-Wbog
Abraçando a fogueira – depoimento
Por Hiran de Melo
Quando
escrevi “Abraçando a fogueira”, não estava apenas tentando falar de amor ou de
saudade. Eu estava tentando segurar algo que já estava escapando de mim. Havia,
naquele momento, uma consciência muito clara de que certas experiências não se
repetem — e de que, mesmo enquanto vivemos, já começamos a perdê-las.
“Quando
eu me for / Antes de morrer” nasceu exatamente disso. Não de uma ideia de morte
física, mas de um afastamento silencioso que acontece dentro da gente. Às
vezes, a gente ainda está presente, mas já não habita mais o mesmo lugar
afetivo. E isso, para mim, sempre foi mais doloroso do que o fim em si.
O que
mais me atravessava não eram os grandes acontecimentos, mas aquilo que parecia
banal. Os gestos simples, as rotinas compartilhadas — coisas que, no momento,
passam despercebidas, mas que depois se revelam como o verdadeiro tecido da
relação. Por isso a saudade da banalidade. Porque é ali que a vida realmente
acontece.
O
balão, no poema, é uma imagem que me acompanha desde a infância. Ele sobe
bonito, ilumina, encanta — mas a gente sabe que ele vai desaparecer no céu.
Existe uma beleza nisso, mas também uma espécie de melancolia inevitável.
Quando escrevi “feito menino”, eu não estava falando de inocência pura, mas de
um esforço quase consciente de voltar a sentir sem o peso do fim.
Já a
fogueira é outra coisa. Ela não é só símbolo de festa. Para mim, ela sempre
teve algo de perigoso, de intenso. “Dançar na fogueira para melhor acendê-la”
é, no fundo, aceitar que amar também é se expor, é se deixar consumir um pouco.
Não existe amor sem risco. E, naquele momento, eu não queria evitar isso —
queria viver até o limite.
Quando
digo “Levarei você / Queira ou não”, reconheço que há coisas que não dependem
mais de escolha. Certas pessoas se tornam parte da nossa estrutura interna. Não
é mais uma relação externa — é uma marca. Mesmo que o outro siga outro caminho,
ele continua existindo dentro de nós, de alguma forma.
O
beijo mais profundo, no final, não é um gesto físico. É uma tentativa de
eternizar o que é, por natureza, passageiro. Um último esforço de permanência.
Se eu
pudesse resumir, diria que “Abraçando a fogueira” é sobre isso: sobre viver
algo já sabendo que vai acabar — e, ainda assim, escolher não se poupar.
Porque, no fim, o que fica não é o que durou mais, mas o que foi vivido com
mais verdade.
Amo essa música!!
ResponderExcluirRemete a tantas lembranças.
Abração meu amigo
Bela composição e música !!! Parabéns !!!
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